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domingo, 12 de agosto de 2012

“ Pérola negra ”

É fato que fora a mais graciosa.
Pérola negra dentre outros colares.
No campo de idas e vindas a mais bela rosa.
O mais doce aroma pairado nos ares.
Fora terna... E também formosa...
Arrancou-me suspiros aos milhares.
Inaudita nos versos, ou na mais linda prosa...

Fomos risos, amigos, um belo casal.
Rasgamos pudores em momentos ferventes.
Deixamos de lado o insosso, e também o banal.
Fomos brisa e tempestade ardente.
Preciosa... Aurora que jamais em meu céu houve igual.
Um divino presente, que fez-me contente.
Preencheu-me total, num surreal...


Elder Prates

domingo, 20 de maio de 2012

" Não me peça pra parar de lhe amar "

Negue-me o êxtase, a reciprocidade.
A felicidade de tê-la ao meu lado.
Impeça-me de sorrir, despreze minha sensibilidade.
Preencha de sombras meus sonhos dourados.
Faça-me sofrer, destrua minha docilidade.
Transforme-me cada vez mais num ser acabado.
Num carente de luz, de vivacidade...

Ria de mim, de meu pútrido e solitário caminhar.
Pise nos meus quereres, no que me traz sentido.
Não me importa, rendido estou com meu eterno chorar.
O sangrar sem cessar de um coração ferido.
Fuja pra longe, pra onde eu não possa lhe encontrar.
Xingue-me de tudo, inclusive de pérfido bandido.
Só não me peça que eu pare, de lhe amar...


Elder Prates.

domingo, 6 de maio de 2012


“ Última Carta ”

Não quero mais flores, regadas com dores.
Já cansei dos teus socos, do seu terror.
Parti... Vou em busca de ardores.
De um homem que dê-me valor.
Sou mulher, humana, não só objeto de prazeres.
Tenho sonhos, e por mim tenho amor.
Por isso parti... Não quero mais flores.

Você é um monstro, imerso em rancor.
Jamais foi homem, jamais foi marido.
Quase matou-me, trouxe-me temor.
Chorei por noites e noites, querido.
Por isso parti, e deixo-lhe este meu torpor.
Esta carta, este vômito de um peito ferido.
Meu último suspiro, cansei de pavor...


domingo, 12 de fevereiro de 2012

“ Vazio de você “

Sem ti, o simples respirar hoje dói.
O aperto da falta a queimar sem cessar.
O vazio de você me corrói.
E sem trégua põe minh’alma a chorar.
Que em pranto pouco a pouco se destrói.
Alma que antes sorria, punha-se a sonhar.
Hoje de cama, toda dodói...

Onde estás, meu amor? Vais voltar?
Mandar-me-ás ao menos um recado?
Ou deixarás para sempre eu sangrar,
A carregar este fardo pesado?
Capital pecado pra quem dizia me amar.
Jardim de encantos com desprezo regado.
E hoje insosso eu vivo, a vagar... A me arrastar...


Elder Prates