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terça-feira, 1 de outubro de 2013

" REDES SOCIAIS "

   Fantástico mundo on-line onde conecto-me com o mundo, não há barreiras que impeçam-me, posso tudo através de um clique.   Através dele já fiz centenas de amigos, inclusive alguns que nem conheço. Sou parabenizado por dezenas quando faço aniversário, embora eu não receba nenhum presente.
  Todos estão próximos, mas faz tempo que não ganho um abraço. Deve ser por causa da correria hodierna...
   Porém, não faz mal... Não ater-me-ei a detalhes, sei que tenho amigos espalhados por aí. Uns que são baixos e se dizem altos, outros pobres que gabam-se por suas riquezas, alguns feios que mostram-se bonitos através de fotos que não são suas, outros mal empregados que afirmam ser funcionários dos melhores cargos, nas melhores empresas, este é o mundo on-line, nos mostramos além do que realmente somos. Será que aí é que está a beleza? Será que o real seja somente parecer algo? Não sei, mas estou conectado...
   Tão conectado, que num dia desses saí do restrito círculo de amigos e conheci o amor da minha vida. Ficamos horas trocando chamegos, sonhos e confidências através de palavras. Falei que tinha 1,80, embora eu tenha 1,63; falei que era másculo, embora eu não tenha músculos; falei que possuía bens, mas acho que ela nem imaginou que meus bens juntos não ultrapassam mil reais. O que importa? O importante é que fui convincente.
  E ela também, disse-me maravilhas, descreveu-se como beldade, como um símbolo sexual que não encontramos todos os dias; disse-me que era trabalhadora, menina de família, e que gostava de romance sério. Também inebriou meu ego quando começou a lisonjear-me, quando descreveu castelos de sonhos onde eu era seu príncipe. Me animei, a pedi em namoro, e assim iniciou-se um romance.
   Enviei-lhe flores, os mais belos poemas, todo o lindo disponível na web, e isso, fortalecia cada vez mais nosso amor. Até que um problema elétrico fez-me perder a conexão.
  Fiquei ansioso aguardando o restabelecimento da energia e, quando esse ocorreu e consegui depois de horas reconectar-me, meu amor já estava casado, com outro...
   Chorei, proferi minhas dores e fui ler o que os astros reservam a mim, que sou de Touro, tudo isso on-line. Desisti das mágoas e entrei noutra rede, em busca de amigos, ou de um novo amor...





domingo, 25 de agosto de 2013


" REVOLUÇÃO "


Bradamos!!! Bradamos... Vamos à luta, vamos às ruas clamar por um mundo melhor, um país melhor, uma cidade mais bela, mais limpa, mais segura, onde todos possam ir e vir, vamos dizer um basta, pra tudo isso que está aí!
Gritemos alto! Bem alto para varrer do poder esses lixos que aí estão... Erguemos faixas, bandeiras pedindo Paz, pedindo hospital, escola, pedindo arroz; vamos às urnas votar de novo, pra escolher novos lixos. E esse é o foco...
Esse é o foco... Estamos atacando o problema errado, pois a corrupção está arraigada à nossa cultura, já vem de berço, e é isso que temos que mudar.
Um país melhor vem de cada indivíduo, de cada cidadão, e os governantes têm o nosso sangue, não vieram de fora; os maus caráteres da política são efeitos de uma causa bem maior. Para uma sociedade doente temos políticos ladrões, advogados ladrões, juízes ladrões, médicos ladrões, amigos ladrões... E não acredito que só no Brasil, mas no mundo; pois o capitalismo deixa os seres cruéis, e cada vez mais ambiciosos.
Vamos jogar nosso lixo no lixo! Vamos deixar de comprar cd pirata! Vamos parar com essa mania de querer levar vantagem em tudo, de se gabar por ter passado alguém para trás, vamos ser mais humanos, mais unidos, mais respeitosos com o outro e o direito do outro; vamos dar exemplos, e bons exemplos, pois as crianças reparam em tudo...
Reflexão antes de revolução, minha gente! Pois tomar o poder para também ser tirano não resolve nada, inclusive, quem governa hoje são aqueles que lutaram contra militares, a favor das diretas, do Fora Collor... E aí está, a mesma merda, os mesmos problemas, os mesmos descasos. O problema está na base, e não na ordem...




sábado, 6 de abril de 2013

" A CORRUPÇÃO "

     Ultimamente, nos feriados nacionais, centenas de pessoas têm saído às ruas para protestarem contra a corrupção, para bradarem contra mensalões, cachoeiras e outras torneiras que jorram e varrem nosso patrimônio ao ralo.
     Ralo por onde escorre nossa saúde pública, nossa educação, por onde escorre o árduo labor de nosso povo.
     E a esse retumbante clamor, acompanhado de faixas, cartazes e narizes de palhaço, mais e mais pessoas deveriam aderir, porém, antes se faz necessário o refletir, o olhar para o próprio umbigo, afinal, há um antigo ditado que diz o seguinte: “O governo é o reflexo de um povo”. Ou ainda outro que afirma o seguinte: “Cada povo tem o governo que merece”.
     Pois bem, para não taxarem-me como radical, pensemos o seguinte: Será que não seríamos iguais aos nossos queridos governantes caso estivéssemos lá no poder? Afinal, muitos de nós preferimos a vantagem da compra pirata, contrabandeada, muitos de nós nos gabamos por passar a perna em outro, muitos de nós sujamos as ruas, cometemos danos que vistos isoladamente parecem pequenos, mas que, ao multiplicarem-se por milhões de atitudes que também outros displicentemente realizam, tornam-se enormes problemas.
     Problemas que depois jogamos nas mãos dos governantes, sendo que os tais governantes pensam da mesma maneira que o nosso povo, ou seja, de maneira egoísta.





domingo, 6 de maio de 2012


" Descriminalização do aborto de anencéfalos "

Dia doze de abril de dois mil e doze, dia ridiculamente histórico para nosso país. Dia em que o Supremo Tribunal Federal descriminalizou o aborto de fetos anencéfalos.
Um dos que votaram a favor foi o nosso ministro Marco Aurélio Mello e, para completar tal ato ainda proferiu horrendas palavras, palavras desse excelentíssimo senhor com as quais eu inicio esta matéria:

“Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal. Parece-me lógico que o feto sem potencialidade de vida não pode ser tutelado pelo tipo penal que protege a vida”. G1 – Portal de notícias.

Agora, destaquemos dois absurdos; Primeiro: “...não existe vida possível”; Segundo: “...juridicamente morto”.
Se não fosse o caso fato de entristecermo-nos, tais afirmações talvez fossem o motivo de muitas gargalhadas, e não vamos pensar em sentido religioso, mas no sentido moral do fato. Faremos então uma simples pergunta: Nosso querido ministro tem o poder de dizer e determinar o que seja vida possível? Nosso querido ministro tem o poder de declarar morto algo que nem sequer teve a chance de nascer? Parece-me óbvio que não, como a muitos também parecerá.
Aliás, quem de nós tem o direito de decidir quem deve viver? E, mesmo que um anencéfalo não possa ter vida longa, quem pode tirar-lhe o direito de viver um dia, algumas horas, alguns minutos, segundos? Será que o assassinato de um humano sem cérebro é menos cruel do que um assassinato de um humano pensante? Sinceramente eu acredito que os dois sejam assassinatos, de igual crueldade, mas, eu não legislo, inclusive, nem o Supremo deveria legislar; e também, eu não opino, e contra o Supremo que é a última instância de nosso país não existe nem chance para tal opinião. Que Brasil é este? Que Brasil...
Agora, vamos pensar sobre o outro lado da moeda, o lado que muitos defendem: O direito da mulher abortar.
Alguns dos que defendem esse tipo de aborto apóiam-se nesse argumento: E o direito da mulher?
Porém, nos perguntemos o seguinte: O quê ou quem determina que o direito da mulher deve sobrepor o direito daquele bebezinho que nem poderá nascer?
Bebezinho que além de não ter instrumentos físicos para defender sua vida agora também não tem nem a Lei, pois alguns seres, que tiveram o direito de viver, decidiram pelo não nascer dele. E em nome de todos eles eu desculpo-me, pelos bebezinhos que não terão o direito de viver ao menos alguns instantes.


Obs.: Ao tomar esta decisão o Supremo Tribunal Federal pode ter aberto uma perigosa porta para que mulheres imorais consigam falsos laudos e abortem indiscriminadamente. Decidir pela morte nunca será uma decisão sábia, independentemente do argumento.




domingo, 8 de abril de 2012

" UMBIGOCENTRISMO "


Sempre quis enxergar além, por sobre as cabeças da multidão que divide os espaços comigo.
E olhando além, por vezes bradei contra os demagogos políticos, contra vizinhos mau educados, atribuindo-lhes os problemas hodiernos.
Mas um dia, como se eu recebesse um chacoalhão espiritual, parei, refleti e cheguei a simples conclusão de que vivo num novo tempo, com uma nova visão de mundo, vivo num umbigocentrismo agudo.
Percebi então que estava errado, pois tudo o que não girasse em torno de mim não importava; fechei-me numa autosupervalorização, e os problemas estavam aí, em mim, e não nos outros.
Eu não respeitava os idosos, a faixa de pedestre, os cegos, os deficientes, eu não ligava pras leis, ignorava doutrinas, cuspia nas fardas.
Eu destruía o patrimônio alheio, afinal, não era meu, e o que não era meu não importava.
Eu discriminava, pois sentia-me superior, tanto em raça, classe e cor. Eu jogava lixo no chão, pela janela do carro, nos córregos, porque não era eu e nem ninguém da minha família ou do meu círculo de convivência que teria que limpar.
Eu, por vezes – perdoe-me meu Deus –, já tive vontade de matar alguém, pois não reconhecia o outro como sujeito, como igual a mim, não tinha a capacidade de reconhecê-lo como filho de alguém que o esperava, como pai que deixaria filhos órfãos.
Meu umbigo é o que importava, as minhas vontades e as dos meus; o ao redor não era eu, e devida a minha personalidade narcisa, eu ignorava.
Ignorava o alheio, e com isso, não o enxergava como igual, o que levava-me a uma frieza ímpar, a ponto de destruir o ser ao lado sem perceber que esse ser participa da mesma existência que eu.
Ainda bem que eu acordei...